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15-12-2005
General Electric premeia portugueses
Dois estudantes portugueses vencem competição da GE
Para começar, foram seleccionados para integrar uma "pool" de 30 estudantes entre uma centena de candidatos ao "Imagination at Work", competição organizada pela General Electric (GE) e pela escola de negócios espanhola Instituto de Empresa para promover o desenvolvimento de projectos inovadores dentro da gigante norte-americana.
Depois, "apenas" tiveram que trabalhar mais de cinco horas diárias, durante seis meses, na elaboração de um plano de fidelização de cartões de crédito para a GE. E defendê-lo - a par de mais cinco equipas - perante um júri de peso no qual participaram, entre outros, Ferdinando Beccalli, presidente e CEO da GE International e Mario Armero, presidente ibérico da empresa.
Daniel Alves e Luís Manuel Ferreira, alunos do International MBA da escola de negócios espanhola Instituto de Empresa, venceram a competição no âmbito de uma equipa constituída ainda por dois estudantes espanhóis e um suíço. Uma distinção que, de acordo com os responsáveis da GE, premeia o carácter inovador do projecto apresentado, bem como o seu potencial de eficácia. A par de uma apresentação feita com recurso a muito "marketing", confessa Daniel Alves, visivelmente orgulhoso.
Sobre o projecto vencedor, os estudantes pouco podem revelar, uma vez que estão vinculados por acordo de confidencialidade assinado com a multinacional. Daniel Alves conta apenas que se trata de um cartão de fidelização "co-branded", desenhado no âmbito de uma "joint venture" realizada entre a General Electric e o banco espanhol CAM. O cartão de crédito deverá em breve ultrapassar a dimensão de projecto - que já é propriedade da multinacional - para ser comercializado no país vizinho. "Estou seguro de que a GE levará o plano avante", afirma Daniel.
Os vencedores receberam um cheque de três mil euros o que, a dividir por cinco elementos, é pouco mais do que um reconhecimento monetário simbólico. Mas o objectivo da equipa foi cumprido, garante o estudante: aproveitar a oportunidade para ter um primeiro contacto privilegiado com um verdadeiro colosso organizacional.
À procura de uma carreira internacional
Licenciado em Gestão pelo Instituto Superior de Estudos Financeiros e Fiscais, Daniel Alves tem no currículo dois anos ao serviço da Crediuniverso, empresa de "marketing" da Sonae para o segmento de cartões de crédito, e sete anos na Corticeira Amorim, nomeadamente como director comercial. Até que, em 2004, com 35 anos, confrontou-se consigo próprio. "Sempre quis fazer carreira internacional mas fui adiando o MBA. 'É agora ou nunca', pensei". Foi mesmo. Apontou baterias aos cinco melhores MBA europeus do "ranking" do "Financial Times" e seleccionou os três que oferecem cursos de Gestão Internacional em "full time. Optou pelo Instituto de Empresa. A propina era de 36 mil euros. Não hesitou. Vendeu tudo o que tinha, em especial a casa, pediu um empréstimo e mudou-se com a mulher para Espanha. Integrou uma turma de 54 alunos, num total de 45 nacionalidades, e contactou com docentes de "alta craveira". Durante um ano de trabalho intensivo, testou aos máximo os seus limites. "Aprendi a conhecer-me melhor a mim próprio, cresci". O sonho de uma carreira internacional poderá estar prestes a concretizar-se.
In Jornal de Negócios, 15/12/2005
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